segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

FIM DA ESCALA 6 X 1 E REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO * Samuel Nogueira Costa/CESIT

FIM DA ESCALA 6 X 1 E REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO

O tempo a ser dedicado ao trabalho sempre esteve no centro das lutas da classe trabalhadora. No Brasil, a última redução da jornada de trabalho ocorreu em 1988, quando os trabalhadores e trabalhadoras conquistaram redução para 44h semanais. Nos anos 2000 as Centrais Sindicais lançaram a Campanha Nacional pela Redução da Jornada de Trabalho sem Redução de Salário para pressionar o encaminhamento de Propostas de Emenda à Constituição que estavam paradas – a PEC nº 393/2001, de Inácio Arruda (PC do B) e a de nº 75/2003, de Pau- lo Paim (PT). Apesar de não ter surtido efeito na redu- ção da jornada de trabalho através da legislação, muitas categorias conseguiram através da negociação coletiva. Mundialmente, a luta em torno do tempo de trabalho, voltou a ganhar destaque após a Pandemia, tendo sido implantadas diversas experiências de redução da jornada bem como de escalas 4x3 como forma de enfrentamento aos problemas de qualidade e quantidades de empregos, bem como qualidade de vida. No Brasil, o debate ganhou reforço através do Movimento VAT (Vida Além do Tra- balho) contra a escala 6x1 e a apresentação da PEC nº 08/25 de Érika Hilton (PSOL).

Como forma de contribuir para o debate sobre a Re- dução da Jornada de Trabalho sem redução de salários e do fim da Escala 6x1, serão lançados semanalmente dois artigos com o objetivo de subsidiar o debate em seus vá- rios espaços, como o legislativo e o da negociação cole- tiva. Isso posto, damos prosseguimento as postagens da série com o vigésimo sexto artigo “Nota em defesa da redução da jornada de trabalho: eliminar as formas precarizantes de flexibilização” de autoria de Samuel Nogueira Costa.

NOTA EM DEFESA DA REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO: ELIMINAR AS FORMAS PRECARIZANTES DE FLEXIBILIZAÇÃO

Samuel Nogueira Costa1 Desde o Século XIX a intensificação das lutas pela redução da jorna-

da de trabalho é tema recorrente entre os trabalhadores. No mundo inteiro, principalmente na Europa do período pós-guerra, a redução da jornada para quarenta horas semanais era ponto central das reivindicações trabalhistas. No Brasil, desde sua industrialização no final do Século XIX e mesmo ao longo do Século XX, inúmeras categorias que abrangiam sapateiros, pedreiros, traba- lhadores da indústria têxtil, gráficos, trabalhadores da limpeza, metalúrgicos, trabalhadores da construção civil, químicos etc. apresentavam como uma das principais bandeiras de luta e mobilização a redução da jornada de trabalho.

Atualmente, as novas ocupações do mercado de trabalho refletem o im- pacto das mudanças estruturais, sobretudo em áreas com alta demanda por tecnologia, o que confirma o surgimento de um grande contingente de tra- balhadores vinculados a esse setor. Foram essas transformações estruturais, iniciadas no contexto dos anos de 1970, que levaram o mercado de trabalho à morfologia que ele possui hoje, da qual a precariedade estrutural do trabalho, a informalidade e a flexibilização das relações laborais são traços constitutivos. Nos países “desenvolvidos”, a redução da jornada de trabalho se dá geralmente por acordos e convenções coletivas. Nos países de capitalismo em ascensão ou “em desenvolvimento”, a principal maneira de se atingir a redução da jornada de trabalho se dá mediante a legislação, com o estabele-

cimento de limites de horas via legislação trabalhista (Lee et Al., 2009).

O Brasil experimentou dois momentos de redução de jornada por inter- médio de ações legislativas. O primeiro se deu no Governo de Getúlio Vargas, em 1932, que definia a jornada de trabalho em oito horas diárias e 48 horas semanais, ante as dez horas diárias e sessenta horas semanais cumpridas pelos trabalhadores. O segundo se deu na Constituinte de 1988, quando foi estabelecida a jornada de 44 horas semanais (Dal Rosso, 1996).

Conforme aponta Dal Rosso (1996), em 1985, o movimento sindical conseguiu abrir um rombo na prática trabalhista das infindáveis jornadas. Nesse mesmo ano, um avassalador conjunto de greves levou ao irreversível solapamento do padrão da jornada de dez horas diárias e sessenta horas se-

Doutor em Sociologia pelo PPGSol da Universidade de Brasília.

manais. Três anos mais tarde, o Congresso Nacional Constituinte, em 1988, estendeu a conquista para o conjunto dos assalariados brasileiros.

Na sociedade brasileira, não é incomum encontrar discursos associando os trabalhadores a uma ideia equivocada de falta de vontade para o labor. Ainda que alguns setores da elite econômica queiram afirmar que há um “de- feito de caráter” intrínseco ao trabalhador, uma espécie de “culto à preguiça”, o fato insofismável é que, na Terra Brasilis, trabalha-se muito.

Para se ter uma ideia, dados da PNAD Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, entre os anos de 2012 e 2019, sobre os aspectos que envolvem os cidadãos sindicalizados, apontam que, em 2012, a proporção de associados a sindicatos que trabalhavam mais de 44 horas semanais era de 69%, conforme indica o gráfico abaixo. Essa pro- porção cresceu paulatinamente até 2019, alcançando o patamar de 80% dos associados, quase 8,5 milhões de trabalhadores. O significado desse dado é categórico: as jornadas e os ritmos de trabalho dos trabalhadores sindicaliza- dos estão sendo estendidas ao limite com o passar dos anos.

Gráfico 1 – Proporção dos associados a sindicatos que trabalham mais de 44 horas semanais, 2012 a 2019
Fonte: PNAD Contínua | Elaboração Própria

Já a duração média da jornada de trabalho dos associados girou em torno de quarenta horas semanais. O setor de transporte, armazenagem e correios é o que, no conjunto, tem a maior média de horas. Os empre- gados desse setor trabalhavam em média 48 horas semanais em 2012 (quatro horas a mais do que o permitido em lei); já ao final da série, em 2019, a média semanal de horas de trabalho era de 45 horas. Entretanto, com a nova regra aprovada na Reforma Trabalhista de 2017, o funcionário poderá trabalhar até 48 horas numa semana, sendo 44 horas normais e outras quatro horas extras, ficando a critério dele próprio cumpri-las. Isso revela que a nova regulação do trabalho aprovada em 2017 é uma forma de legitimar a já extenuante jornada de trabalho a que estavam submetidos trabalhadores de diversos setores, cuja intensidade já operava em níveis acima do normal.

Isso pode ser verificado em categorias como a de motoristas de apli- cativos – vinculados à atividade de transporte terrestre de passageiros, que também integram o setor de transporte, armazenagem e correios. Fica cada vez mais evidente nesta atividade a espoliação do trabalho: longas jornadas marcam a tentativa de garantir ao final do mês uma renda que raramente se mostra suficiente para custear os gastos. Sem vínculo sindical, estes traba- lhadores (por conta própria) sofrem com as mudanças estruturais ensejadas pela reestruturação capitalista. Mais um elemento a ser considerado pela ação sindical qualificada de que os novos tempos necessitam.

Ainda de acordo com o levantamento da PNAD contínua2, em 2024, a jor- nada semanal média dos trabalhadores foi de 41h30; cabe destacar que 47% deles têm jornadas superiores a quarenta horas; e 13,5% trabalham 48 horas ou mais. Uma jornada longa não só limita o tempo dedicado a família, descan- so, qualificação, lazer, isto é, suprimindo, portanto, a vida social, o que aumen- ta, por consequência, os riscos de acidentes e o surgimento de enfermidades. A reforma trabalhista de 2017 ampliou a precarização dos mecanismos relacionados ao tempo de trabalho, disseminando o uso da escala 12 x 36h (12 horas de trabalho acompanhadas de 36 horas de descanso). O que antes era caracterizado como exceção, nas circunstâncias atuais, também está passível de ser negociado individualmente.

Entre os efeitos da desregulamentação da jornada de trabalho está a subutilização da força de trabalho de 4,9 milhões de brasileiros (DIEESE, 2025). Ou seja, um enorme exército de trabalhadores se declara subocupado pela falta de horas necessárias à composição de sua jornada, corroborando a insuficiência de rendimento e aumentando a desigualdade social.

Tal desmantelamento também incentivou as modalidades de trabalho parcial e intermitente. Esses tipos específicos de contratação, como é sabido, comprometem a organização da vida social, além de dificultar o desenvolvi- mento profissional da classe que vive do trabalho.

Outra modificação inserida no bojo da reforma trabalhista foi a instau- ração do acordo individual para a organização do banco de horas, sem ne- cessidade, entretanto, de negociação coletiva. Isso possibilitou a implemen- tação da terceirização total, assim como do teletrabalho, contribuindo para a perpetração de jornadas extenuantes, a intensificação dos ritmos de trabalho e a precarização das condições de vida e trabalho, cuja sequela é, inevitavel- mente, o adoecimento.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE para o 4º trimestre de 2024.

Tanto na literatura nacional quanto na estrangeira, inúmeros estudos têm destacado manifestações de sofrimento e de adoecimento mental rela- cionadas a jornadas extenuantes de trabalho. Por uma razão óbvia, isto é, tanto do ponto de vista da frequência que ocorrem como pela gravidade dos casos, é necessário tratar desse tema com a prudência e a cautela devidas (Cardoso e Neffa, 2022, p. 377).

Entre os principais indícios de exteriorização das aflições psíquicas asso- ciadas ao trabalho acham-se: o mal-estar, o sofrimento e o adoecimento físi- co e psicológico, manifestações de estresse, distúrbios relacionados ao sono – estando a privação do sono entre os principais fatores para a elevação do desgaste e a incidência de erro (Martins, 1995). Fato é que muitos dos qua- dros psiquiátricos decorrem da ansiedade produzida no e pelo trabalho, cujo desfecho é regularmente convertido em quadros como síndrome do pâni- co, queixas digestivas, fadiga, depressão, burnout, doenças cardiovasculares com o aumento da prevalência de hipertensão arterial, entre outras (Martins, 1995; Escriba-Aguir, Artazcoz e Perez-Hoyos, 2008).

Nesse sentido, visando o desenvolvimento nacional a partir da geração de emprego e renda e, por sua vez, lutando por saúde, bem-estar e qualidade de vida, tramitam no Congresso Nacional inúmeras propostas em favor dos trabalhadores, cujo intuito é a regulamentação da jornada de trabalho:

O senador Paulo Paim (PT/RS), por meio da proposta de emenda à Constituição 148/20153, sugere reduzir a jornada para quarenta horas semanais de imediato, bem como um escalonamento anual gradativo, buscando alcançar as 36 horas semanais, sem redução de salário;

O deputado Reginaldo Lopes (PT/MG), através da proposta de emen- da à Constituição 221/20194, propõe a redução da jornada de tra- balho de 44 horas para 36 horas semanais, respeitando o limite de uma década;

O senador Weverton Rocha (PDT/MA) apresenta o projeto de lei 1.105/20235, cuja intenção é regulamentar a redução da jornada sem reduzir salários, em acordos ou convenções coletivas de trabalho; e,

A deputada Erika Hilton (PSOL/SP) sugere a redução da jornada de trabalho semanal de 44 horas para 36 horas semanais, sem perdas salariais, com a criação da escala 4 x 3 – quatro dias de trabalho e três de descanso –, a partir da negociação coletiva.

Uma jornada menor não repercute somente na classe trabalhadora, mas beneficia a totalidade da sociedade e da economia nacional. Logo, à medida

Ver em:< https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/124067>.


Ver em: < https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/156208>.

que uma empresa contrata mais trabalhadores no intuito de compensar as horas reduzidas, ela não só contribui para o encolhimento do desemprego, bem como para o desenvolvimento geral da economia nacional e, por sua vez, do bem-estar social, porquanto fortalece os laços comunitários e de con- vivência dos seres humanos, possibilitando mais tempo para o ócio, a arte, as necessidades do espírito etc. Ou seja, é uma conquista para toda a sociedade. A experiência histórica recente demonstra que há uma forte convergên-

cia entre a redução da jornada e a elevação da produtividade do trabalho. Na Islândia, país nórdico insular europeu, a implantação da semana de quatro dias é considerada um fator determinante do crescimento de 5% do PIB em 20236, somado a um crescimento das taxas de produtividade em torno de 1,5%, contração dos índices de desemprego e aumento da sensação de sa- tisfação dos trabalhadores, sem nenhuma queda nos níveis de serviço.

No Brasil, estima-se que o encurtamento da jornada, sem corte de sa- lários e aumento das horas extras, deva estimular o surgimento de até 6 milhões de novos postos de trabalho. No entanto, tal redução deve vir acom- panhada da limitação da hora-extra, para que os empregadores não impe- çam a criação de novos postos de trabalho, fazendo uso do banco de horas e intensificando o trabalho.

Debater a redução da jornada, sem redução de salário, buscando re- construir as regulações que tratam dos tempos de trabalho, jornadas excep- cionais, intervalos, deslocamentos e folgas é fundamental. Somente assim será possível eliminar, de uma vez por todas, as formas precarizantes de flexibilização que assolam e aviltam a vida de milhões de trabalhadores.

Referências

DAL ROSSO, S. A jornada de trabalho na sociedade: o castigo de Pro- meteu. São Paulo: Ltr, 1996.

CARDOSO, A. C. M.; NEFFA, J. C. Mudanças nos tempos de trabalho como de- terminantes do processo saúda-doença. In: DAL ROSSO, S.; Et AL (Orgs.). O futuro é a redução da jornada de trabalho. Porto Alegre: CirKula, 2022. Pp. 371-392.

DIEESE. Boletim Especial - 1º de Maio – Redução da jornada e distri- buição de renda: bases para o desenvolvimento sustentável. 2025. Disponivel em: <https://www.dieese.org.br/boletimespecial/2025/primeiro- demaio.html>.

Ver matéria do jornal O GLOBO. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/econo- mia/noticia/2024/10/26/veja-como-a-semana-de-quatro-dias-transformou-a-eco- nomia-de-um-pais-saiba-qual-e.ghtml>.

ESCRIBA-AGUIR, V.; ARTAZCOZ, L.; PEREZ-HOYOS, S. Efecto del ambiente

psicosocial y de la satisfacción laboral en el síndrome de burnout en médicos especialistas. Gaceta Sanitaria, v. 22, n. 4, pp. 300-308, 2008.

LEE, S.; MCCNN, D.; MESSENGER, J. Duração do Trabalho em Todo o Mundo: tendências de jornadas de trabalho, legislação e políticas numa perspectiva global comparada. Brasília: OIT, 2009.

MARTINS, L. A. N. Vicissitudes do exercício da medicina e saúde psicológica do médico. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, n. 39, pp. 188-193, 1995.

ANEXOS
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sábado, 14 de fevereiro de 2026

CARTA ABERTA À COMUNIDADE DO IFBA PARA CONHECIMENTO DE AÇÕES RETALIATÓRIAS PELO CUMPRIMENTO DO DEVER FUNCIONAL * Nas Entrelinhas/BA

CARTA ABERTA À COMUNIDADE DO IFBA PARA CONHECIMENTO DE AÇÕES RETALIATÓRIAS PELO CUMPRIMENTO DO DEVER FUNCIONAL

Em reunião realizada no dia 05/02/2026, no gabinete da reitoria, com a presença da Chefe de Gabinete, do Assessor para Assuntos Institucionais e da Reitora, esta informou ao servidor Raimundo Fraga que faria uma reorganização na Secretaria da CPPD, em função das denúncias e de problemas por que passa aquela Comissão, argumentando ser este o motivo para a sua saída.

Reservado o seu direito de não questionar, tendo recebido mensagem eletrônica da Chefe de Gabinete para ajustes, se necessários, e elaboração da ata que seria por todos assinada, respondeu nos termos cujo teor textual é transcrito na íntegra, abaixo:


Cara servidora, Chefe de Gabinete,

Recebi a“ATA DE REUNIÃO – SÚMULA”, tendo como assunto“Ajustes na organização da Secretaria da CPPD”, com o seguinte encaminhamento:“..., encaminho abaixo a ata da reunião realizada ontem para verificação do teor do texto. Caso necessário, peço a gentileza de indicar eventuais ajustes antes da elaboração do documento definitivo para assinatura dos(as) presentes.”

Apesar dos argumentos nada convincentes da Reitora para tentar justificar a minha saída da CPPD, evitei questionamentos durante a reunião que aconteceu no último dia 05 de fevereiro de 2026, às 9h, para que não se convertessem em mera exposição de narrativas. O fato de ter expressado a minha disponibilidade para contribuir com a Instituição, não significa que eu assenti a decisão da Reitora; ela tem o poder para movimentar qualquer servidor,“em nome do interesse institucional”, portanto, não necessita da minha aceitação, da minha aprovação para promover a“mudança”que deseja na CPPD.

Dito isso, não há necessidade de verificação do teor textual da citada ata, bem como de ajustes para a elaboração do documento definitivo. Não será com a minha aceitação, não será com a minha aprovação que a Reitora fará comigo o que fez com Patrícia Conceição Souza que depois de ter denunciado as irregularidades dentro da PRPGI, foi tratada como material descartado, isolada, com a dignidade ferida e perseguida.

A lei proíbe movimentações, redistribuições ou demissões por motivo de denúncias de corrupção e irregularidades. Quer fazer a mudança na CPPD, e de fato tem poder para isso, que faça! Não darei a salvaguarda para a Reitora se eximir das responsabilidades. Não serei eu, o meu algoz!

Tenho 20 anos de IFBA e jamais me furtei a contribuir com o Instituto.

É preciso deixar claro que sou servidor de Estado e não de Governos e Gestões. E isso deveria ser entendido e sustentado por todos os colegas, docentes e técnicos administrativos. E como servidor público, estou subordinado à Lei e demais normativas que regem o serviço público, portanto, tenho direitos, mas também tenho obrigações, tenho deveres a cumprir e os cumpro fielmente. Dentre os deveres…:

“Art. 116 da Lei nº 8.112/90:

(...)

VI - levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade competente para apuração;

XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.”

Breve descrição da minha trajetória

Ingressei no CEFET-BA no dia 12 de setembro de 2005, mesmo dia da posse. Com formação Técnica em Contabilidade e Assistente em Administração, pouquíssima experiência no serviço público, mas com vasto conhecimento na iniciativa privada tendo atuado por mais de 12 anos na área financeira; quando da reunião de posse, que foi coletiva, e assinatura dos respectivos Termos – seis novos servidores técnicos ingressaram naquela data, se não estou enganado, todos com experiência na área financeira – não escolhi o setor para onde ir. Fui escolhido para atuar na então Coordenação Técnica de Pós-Graduação e Pesquisa (CTPGP), um imenso desafio. Lá, eu tive o prazer de trabalhar com pessoas que assim como eu pensam primeiramente na Instituição, a exemplo de Núbia Moura Ribeiro, a quem sou imensamente grato pelo aprendizado inicial, e posteriormente Rita Nano.

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Lá, eu fui o responsável pelo Programa Institucional de Qualificação Docente para a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (PIQDTeq), financiado pela Capes e institucionalmente administrado pela CTPGP; lá eu exerci o Cargo de Coordenador do Programa de Bolsas de Iniciação Científica, entre 2007 e 2013 (por recusa a continuar a exercê-lo), tendo contribuído não só com a equipe envolvida diretamente na administração da CTPGP, mas também com os demais envolvidos com a pesquisa institucional: docentes pesquisadores e alunos vinculados à Iniciação Científica, mesmo com algumas pouquíssimas vozes questionando “como é possível um simples técnico de nível médio atuar como Coordenador do PIBIC?”, somente porque tinha a liberdade de opinar e assim contribuir para a melhoria dos trabalhos e para que irregularidades não proliferassem. Lá, atuei, inclusive, como responsável pela CTPGP e, posteriormente, PRPGI, em substituição à Coordenadora, posteriormente, Pró-Reitora de Pesquisa, Núbia Moura Ribeiro, nas férias e afastamentos, antes da chegada de Rita Nano. Lá, eu evitei tentativas de alguns imporem as suas vontades só porque, tendo o diploma de doutorado, se achavam melhores que os outros. Lá, eu apresentei sugestões que foram acatadas e contribuíram para a Instituição. Lá, eu vi a pesquisa institucional se desenvolver, mesmo com as adversidades, até o momento em que Rita Nano esteve à frente da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós Graduação e Inovação (PRPGI) – e não tínhamos a equipe na dimensão que se tem atualmente. Não me sentindo mais útil para a Instituição, naquela Pró Reitoria, no ano de 2017 solicitei a minha movimentação para outro setor, quando o então membro da CPPD, Ronaldo Bruno (falecido), me abriu as portas e me deu os primeiros ensinamentos juntamente com Aline Beckerat, que atuava na Comissão. Novos desafios…

01

Tendo ingressado na CPPD no final de julho de 2017, em novembro eu vi docente impor a sua vontade, passando, inclusive, por cima de decisão do colegiado, infringindo o Regulamento Interno, desrespeitando os demais colegas que aguardavam os seus processos na fila, só para que a sua promoção à classe de titular não gerasse pagamento de exercícios anteriores. Eu tenho relatório que mandei para o então presidente da CPPD na época e os demais membros. Também vi, no calor das divergências políticas, um membro da CPPD com o dedo em riste na face do colega, que era o presidente, num ato de profundo desrespeito, aos gritos, dizendo seguidas vezes, em tom ameaçador: “rasgue o seu diploma”, só por não haver consenso nas suas formulações teóricas. Lamentável!!

Na CPPD, sob a Presidência de Ronaldo Bruno, eu apresentei sugestões para dinamizar os procedimentos que foram acatados e são úteis até os dias atuais; sugeri revisões de análises de processos que poderiam impor gastos indevidos à União, ou prejuízos aos docentes.

Estando lotado na CPPD, atuando como membro do Consup, por combater o conflito de interesse no âmbito do Conselho, houve tentativas de me tornar invisível e de imputar a mim a prática de assédio moral contra a então secretária do Conselho.

Na CPPD, eu denunciei a alteração de informações no SEI o que tipifica crime - 313-A e 313-B do CP. Decorridos alguns anos, por vezes cobrando providências, tomei conhecimento, via Lei de Acesso à

Informação, que o processo foi arquivado depois que a Correição, não se sabe como,“entendeu”que o servidor denunciado era a testemunha e a servidora que sequer foi citada como beneficiária, figurou como denunciada.

Na CPPD, sofri a tentativa de destruição da minha reputação, nas redes sociais e grupos de servidores do IFBA, depois que denunciei as práticas antissindicais, em 2020 durante a pandemia de COVID-19 (o então Conselheiro representante do SINASEFE no Consup, era o cônjuge da Reitora). Isso, após erro grosseiro do Ministério Público do Trabalho que na denúncia onde figurava no polo passivo o SINASEFE, identificou possíveis responsabilidades da gestão do IFBA e instaurou procedimento como se eu tivesse denunciado o Instituto. Esqueceu se o Ministério Público do Trabalho o seu

dever de atuar de ofício. Sendo identificado erroneamente no Inquérito como denunciante, a gestão fez questão de encaminhar toda a documentação para pedir os dados pessoais de todos os servidores que estavam em regime de trabalho remoto por conta da pandemia da COVID-19, estampando o meu nome como denunciante. Passei a ser hostilizado por alguns colegas e outros que apresentaram questionamentos que mais pareciam julgamentos prévios e sem fundamento algum. Apesar de já estar em curso a tentativa de destruição da minha reputação, marquei audiência com o Procurador do Trabalho, expus a ele os danos causados e, reconhecendo o erro, retificou as informações das partes do Inquérito. Só a partir da exposição do texto retificado pelo Procurador do Trabalho, consegui minimizar os estragos.

Na CPPD, no início do ano de 2021, na condição de Conselheiro do Consup fui processado criminalmente pela Reitora, por difamação e injúria, depois de ter apontado o conflito de interesses e criticado a atuação e participação do seu cônjuge no Conselho, estando ela, a Reitora, como Presidenta. Elaborei uma Nota Pública e divulguei para conhecimento da comunidade do IFBA, depois que a minha conexão com o Consup caiu. Na Audiência de Conciliação, que aconteceu virtualmente no dia 22/08/2022, pugnou a principal advogada da Reitora (uma banca de três advogadas) que eu produzisse uma Nota de Retratação Pública com a mesma quantidade de palavras e a divulgasse nos mesmos veículos onde circulou a minha Nota Pública. Retocou a juíza que eu não teria a minha ficha manchada, no máximo pagaria umas três ou quatro cestas básicas e o processo seria extinto. Sem auxílio de advogado, o Defensor Público designado não esteve presente à audiência, diante de uma banca de três advogadas da Reitora, da própria Reitora, da juíza e da sua assistente, sustentei que não haveria acordo porque se assim o fizesse estaria automaticamente assumindo que havia cometido o delito e provaria se preciso fosse até na última instância. A Reitora seguiu com o processo mas foi arquivado por falta de provas, tendo transitado em julgado no final do ano de 2024.

Na CPPD, no mês de abril de 2022, o então presidente me chamou para compor a equipe que daria treinamento para os novos membros eleitos. Tendo comunicado ao Chefe de Gabinete as ações de treinamento, por politicagem, foi “orientado”a me descartar. Ao me solicitar

o material que havia preparado, mandei que o pedisse ao Chefe de Gabinete.

Lotado na CPPD, denunciei as ilegalidades durante o processo eleitoral que favoreceram a reeleição da Reitora, em 2023.

No ano de 2024, precisamente no dia 28 de novembro, após identificar vícios de legalidade nos procedimentos de análise de RSC, o que implicou pagamentos indevidos, com o intuito de afastar a responsabilidade da CPPD orientei a suspensão das análises dos processos e comunicação formal ao gabinete para que tomassem providências a fim de sanar o problema. Mesmo com a sinalização da Procuradoria Jurídica de que o Instituto estaria atuando na ILEGALIDADE e o prosseguimento do feito seria de responsabilidade exclusiva da gestão, em fevereiro de 2025, a Reitora publicou uma Nota à Comunidade docente validando o Regulamento de RSC que já se sabia conter vícios insanáveis.

A partir desta publicação fizemos os cálculos de todos os processos de RSC entre janeiro de 2020 e dezembro de 2024, o que totalizou o montante de mais de 65 milhões pagos indevidamente, e protocolei denúncia ao MPF e TCU (meu dever como servidor). Tendo o TCU instaurado o procedimento investigativo, comprovando os indícios de irregularidades, expediu Medida Cautelar suspendendo a concessão de novos RSCs até a decisão final. A Medida Cautelar foi referendada unanimemente através do ACÓRDÃO 2444/2025 - PLENÁRIO no final do mês de outubro de 2025.

Já o MPF, com base nos argumentos desprovidos de veracidade, resolveu arquivar o inquérito. Digo que desprovidos de veracidade porque para isentar-se da responsabilização, a Reitora tentou responsabilizar-me:“(iii) omissão funcional do representante Raimundo da Conceição de Jesus Fraga, que como único servidor de apoio à CPPD detinha conhecimento da situação desde 02/02/2023 mas optou por representação externa apenas em 22/04/2025;” (extraído da manifestação da Reitora ao MPF), mesmo tendo cópias das pautas de reuniões da CPPD nas quais

constam os registros para a discussão e reformulação do Regulamento do RSC, entre fevereiro e setembro de 2023. Como autoridade máxima do Instituto, se teve conhecimento de ilegalidades ou

responsabilização de servidores por omissão, especificamente neste caso, tinha

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o dever de instaurar o Processo Administrativo Disciplinar. Se não o fez, cometeu crime de prevaricação.

Ainda em novembro de 2024, após identificar os vícios de legalidade que geraram pagamentos indevidos, para não postergar os problemas e tentar fazer com que eles não se avolumassem, assumi o compromisso com o presidente da CPPD que entregaria, em uma semana, um novo Regulamento de RSC.

Compromisso cumprido, em apenas 5 dias apresentei o novo Regulamento de RSC aos membros da CPPD e na reunião de 13 de dezembro de 2024 foi aprovado, colhidas as assinaturas e posteriormente encaminhado para o Gabinete. Depois que passou por análise da PROJUR, o regulamento foi encaminhado para a CPRSC no final de janeiro de 2025.

Se hoje o IFBA tem um Regulamento de RSC atualizado e aguardando aprovação do CPRSC, é porque eu o construí. E externo isso com o orgulho de servir a essa Instituição.

Já em setembro de 2025, denunciei o uso da máquina pública, vícios e demais irregularidades no processo eleitoral para o Conselho Superior, com a finalidade de favorecer a absurda candidatura do cônjuge da Reitora.

Problemas da CPPD

Estou na CPPD há quase 9 anos. Essa vivência me permitiu identificar os picos de demandas que geralmente crescem a partir do segundo semestre de cada ano e se intensificam no início do último trimestre. Isso se deve ao fato de muitos docentes deixarem para pleitear os seus direitos ao desenvolvimento na carreira para os últimos instantes, o que gera o gargalo com as respectivas cobranças para não cair em exercícios anteriores.

Aliado a esse problema, tem outro de ordem estrutural: a dificuldade que se tem para mobilizar os docentes a participarem do pleito eleitoral para compor a Comissão. Quase não se consegue estruturar a CPPD apenas com membros titulares. O exemplo mais recente tem impactos preocupantes. Dos membros que tomaram posse em 18 de outubro de 2024, alguns deles reeleitos, não houve sequer um suplente. Ainda em março de 2025, um dos membros que é lotado no campus de Salvador, por incompatibilidade, teve que se desligar da CPPD para assumir uma coordenação no

no seu Departamento. Não havendo suplentes, estava a CPPD atuando, já no início de 2025, com um membro a menos e sem a possibilidade de indicação de substituto. A gestão teve conhecimento.

Com a sinalização de novos desligamentos, antevendo os problemas, em reunião que aconteceu no dia 11 de julho de 2025 sugeri que fosse encaminhado um documento ao Gabinete da Reitora solicitando a designação de, pelo menos, quatro docentes para compor a força de trabalho da Comissão, pelo período de 90 dias, com a possibilidade de prorrogação por mais 90 dias, o que contribuiria para minimizar os gargalos. A sugestão foi acatada e, imediatamente, através do processo nº 23278.008074/2025 -04 redigi o documento, os membros o assinaram e em seguida foi encaminhado para o Gabinete:

“(...)

Conforme deliberado na reunião desta sexta feira, dia 11 de julho de 2025, encaminhamos o pedido para a reconstituição da Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD) com a designação de, pelo menos, quatro membros para complementação da força de trabalho.

A Portaria nº 4485 de 15 de outubro de 2024, quando publicada, estabeleceu a composição da CPPD com apenas 9 (nove) membros integrantes, sem a designação de substitutos, tendo o membro Ricardo Aurélio Fragoso de Souza solicitado o desligamento da Comissão por incompatibilidade prevista no Regimento Interno, ainda no mês de março do corrente ano.

A necessidade urgente da complementação que ora é solicitada se justifica pela alta demanda, principalmente dos processos de Reconhecimento de Saberes e Competências; pela expectativa de demandas futuras dos RSCs para aposentados, após decisão judicial que reconheceu o direito aos inativos de se submeterem à avaliação visando a concessão do Reconhecimento de Saberes e Competências, e também pela demanda crescente das solicitações de Promoção à Classe de Titular.

A designação de novos membros para a reconstituição da CPPD passa a ser, portanto, uma necessidade institucional, temporária, devendo atuar os novos integrantes por um período de 90 (noventa) dias com possibilidade de prorrogação por igual período.

(...)”

Embora sendo uma situação de urgência, a gestão não deu a devida atenção, sinalizando a realização de eleição suple

https://www.nasentrelinhas.com/

mentar, o que demandaria um precioso tempo; tempo esse que não se dispunha. Enquanto isso, os problemas se avolumavam e as cobranças eram constantes. Inclusive, durante a passagem

da Reitora pelo campus de Juazeiro, em 07/08/2025, houve manifestação de docentes quando foi questionada a respeito da morosidade dos processos de RSC; a sua resposta foi:“... tal situação decorreria de divergências de interpretação de um servidor do setor (CPPD), quanto ao envio dos processos aos avaliadores” (informação que consta em mensagem eletrônica do docente). Quem fazia o envio dos processos aos avaliadores era a membra

responsável pelo RSC, e não havia nenhuma divergência de interpretação ou entendimento a esse respeito. Não assumiu a sua responsabilidade e ainda tentou atribuir a outros os problemas que

são da gestão.

Desprezando a ideia que propusemos, a Reitora resolveu dar o chamado“tiro no pé”e por sua própria vontade inovar na CPPD convocando 14 (quatorze) docentes para compor o que chamou de“força

tarefa”com atribuição de auxiliar a CPPD na análise dos processos da carreira docente, sem caráter deliberativo (Portaria nº 4728 de 23 de outubro de 2025), até 31 de dezembro de 2025.

A contribuição dessa“força-tarefa”se restringiria apenas a avaliar os processos da carreira docente, como frisa a referida Portaria, estando os integrantes impedidos de assinar os pareceres.

Já havia um certo descontentamento e duas das mais atuantes e comprometidas membras solicitaram o desligamento, ainda no início de outubro, ficando a CPPD com apenas três membros efetivos até a última terça-feira, 03 de fevereiro quando os eleitos tomaram posse. Desde o mês de outubro, os processos de Promoção a Titular e os processos de RSC estão parados (a Medida Cautelar, do TCU, suspendeu as novas concessões de RSC e não as análises dos processos que já se encontravam na base da CPPD). Com apenas três membros, era humanamente impossível dar conta dos processos que estavam represados na CPPD.

E ainda no que se refere a RSC, a descentralização, que apesar de ser uma excelente ideia, foi mal implementada e muitos dos problemas atuais relacionados

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aos RSCs se devem a tal decisão mal tomada. Por que uma decisão mal tomada? Porque não houve a ampla discussão no âmbito da CPPD. A Reitora simplesmente disse que iria descentralizar, sem analisar os prós e os contra, sem promover a discussão e o devido treinamento dos membros, descentralizou. As SCPPDs nos campi, que a maioria dos membros pouco ou nada sabiam, menos ainda poderiam transmitir àqueles que estavam dispostos a colaborar. Esse ciclo estava se renovando constantemente porque os processos de RSC, por exemplo, não estavam (como se imagina ainda não estão) sendo instruídos de acordo com o Regulamento que foi aprovado lá em 2014 (e não estou me referindo às alterações que foram promovidas entre os anos de 2021 e 2022).

No referido Regulamento há a vedação ao uso em duplicidade de documentos, o que não estava e não está sendo devidamente observado em muitos processos. Caberia à SCPPD identificar tais situações e devolver ao interessado para que ele decida em qual item de avaliação deverá pontuar (isso está explíci

ícito no Regulamento); o Regulamento faz referência à pontuação mínima para se obter o RSC e em alguns processos, ao anular os pontos atribuídos a documentos utilizados em duplicidade, o interessado pode não atingir a pontuação mínima necessária. Se no processo de avaliação não se observa isso e não se descarta os documentos em duplicidade, paga-se indevidamente o RSC. Só para citar alguns erros que deram origem a pagamentos indevidos.

Bom, mas aí, os novos membros já tomaram posse e os problemas da CPPD serão saneados. Não serão, porque os novos membros precisam de treinamento, precisam se apropriar da dinâmica de funcionamento e dos procedimentos de análise dos processos, principalmente de RSC e Promoção a Titular, e se isso não for feito a Instituição terá muito mais do mesmo, perpetuando se os problemas.

Muitos docentes têm buscado orientações e cobram esclarecimentos sobre temas que são de competência da CPPD e não os têm. E não os têm porque quase sempre a CPPD é a última a saber ou só tem conhe

cimento quando cobrada: decisões que são tomadas à revelia da Comissão, alterações de dispositivos normativos, por exemplo, sem a discussão da Comissão, etc. Um exemplo bem consistente é o grande volume de solicitações de informações a respeito do novo barema de progressão: como responder se a CPPD não foi chamada para a discussão, não participou da sua construção ou reformulação?

De tudo exposto, não se vislumbra o interesse institucional na decisão tomada pela Reitora e sim, o caráter retaliatório pelo perfil questionador, pela capacidade crítica e, sobretudo pela coragem em cumprir o dever de denunciar as irregularidades.

Atenciosamente,

Raimundo Fraga
Assistente em Administração
CPPD/Reitoria - IFBA
*

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

MOBILIZAÇÃO NACIONAL DA FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL * Dr Sami Yassine/DF

MOBILIZAÇÃO NACIONAL DA FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL !!!

• Com o reinício das atividades legislativas no Congresso Nacional, chegou a hora de mostrar a força da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional!

• O PL 1731/2021, que garante o piso salarial da nossa categoria, já foi aprovado na Câmara e no Senado, restando apenas a apreciação final. É um dos projetos mais antigos em tramitação e com baixo impacto financeiro, sem prejuízo aos municípios.

Agora, mais do que nunca, precisamos pressionar e mobilizar!

BRASÍLIA
24 de março de 2026
Recepção das entidades sindicais e representativas no Aeroporto Internacional de Brasília DF.

BRASÍLIA
Mobilização da Fisioterapia e Terapia Ocupacional
25 de março de 2026
Concentração a partir das 9h
Anexo II – Senado Federal

A participação de todos os colegas da categoria e fundamental, sem mobilização não há valorização!!

✓ Esta é uma mobilização nacional!
✓ Pela valorização profissional.
✓ Pelo respeito à saúde da população.

O piso é justo.
O piso é possível.
O piso é agora.

SINFITO DF presente nessa luta!
Meu nome e Sami Yassine, sou fisioterapeuta, presidente do SINFITO DF, ativista pela Saúde, Justiça Social e Ambiental.

#PisoJá #Fisioterapia #TerapiaOcupacional #ValorizaSaúde #PL17312021 SINFITODF PeloNossoPiso SaúdeComRespeito
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

POR UM SINDICALISMO LIVRE * TRABALHADORES DE CLASSE E DE LUTA/TCL

POR UM SINDICALISMO LIVRE 
O MEU DIREITO NAO É MERCADORIA

Nada de ódio contra "político", nem contra os partidos eleitorais. Mas tanto um quanto o outro precisam ser denunciados.

Não há político honesto nem partido que defenda o trabalhador. Afinal, se vivem às nossas custas, como podem nos defender?

Então, chega de ilusão. Vamos nos unir, defender nossos interesses e nossos direitos.

Aliás, o mesmo ocorre com os patrões e os dirigentes sindicais. Eles vivem do nosso suor. Então, como podem ser BONS?

BASTA! Nenhuma ilusão. Só baixa a cabeça pra essa gente quem não tem profissão.

Por isso, se qualifique. Busque uma escola técnica, estude, adquira formação e fortaleça sua independência de classe. Afinal, foi Karl Marx quem disse: 
*A LIBERTAÇÃO DOS TRABALHADORES SERÁ OBRA DOS PRÓPRIOS TRABALHADORES!*
5 x 2 NELLES!
CORRUPÇÃO SINDICAL
ORGANIZAÇÃO POR LOCAL DE TRABALHO

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domingo, 21 de dezembro de 2025

REFORMA TRABALHISTA DE MILEI PODE VIRAR GREVE GERAL * Alfonso de Villalobos (Tiempo Argentino)

REFORMA TRABALHISTA DE MILEI PODE VIRAR GREVE GERAL
Alfonso de Villalobos (Tiempo Argentino)

Argentina. Dezenas de milhares de trabalhadores repudiaram a reforma trabalhista / "Se não atenderem às nossas reivindicações, haverá greve geral", alertou a CGT.

Milhares de manifestantes se reuniram na Plaza de Mayo para dizer não à reforma trabalhista do governo fascista e das corporações.

O calor sufocante acelerou os procedimentos, e o evento começou um minuto antes das 15h , horário previsto. A mobilização havia começado ao meio-dia e foi massiva, com uma contribuição significativa dos sindicatos da CGT, que atenderam ao chamado de sua liderança.
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Sindicato Minero de la Sección 65 de Cananea anunció el fin de huelga * Sindicato Minero de la Sección 65 de Cananea / Mexico

Sindicato Minero de la Sección 65 de Cananea anunció el fin de huelga
MÉXICO
Tras casi dos décadas de conflicto, el Sindicato Minero de la Sección 65 de Cananea anunció el fin de la huelga iniciada en 2007, luego de una asamblea histórica realizada en su recinto oficial.

domingo, 30 de novembro de 2025

TRABALHO NÃO PODE SER CASTIGO * Wilson Coêlho/ES

TRABALHO NÃO PODE SER CASTIGO
Wilson Coêlho¹

TEATRO

Ator I – Fora 6 por 1! Fora 6 por 1! Fora 6 por 1! 

Ator II – O que é isso maluco? Falando sozinho? 

Ator I – Como falando sozinho? O que estou dizendo é sobre uma Proposta de Emenda à Constituição, a PEC 8/2025 que propõe o fim da escala de trabalho 6x1. E isso já está na boca do povo. 

Ator III – (Entrando, bravo) Isso é um absurdo! Como a empresa vai produzir com vocês folgando tanto? 

Ator I – Como absurdo? Você não entende que nós merecemos descansar, passar mais tempo com a família, visitar amigos e ter vida social?  

Ator III – (Irônico) Família? Amigos? No meu tempo, trabalhávamos 12 horas por dia e não reclamávamos! 

Ator II – Provavelmente, no seu tempo não existiam direitos trabalhistas, mas quer você queira ou não, o mundo evoluiu e o trabalhador ficou mais consciente de sua classe e da valorização do seu trabalho. 

Ator IV – Querem saber de uma coisa? Esse papo de acabar com o 6x1 é muito tímido. Temos que lutar no mínimo é por 4x3. Não estamos lutando por privilégios, mas por direitos e, diga-se de passagem, direitos humanos. 

Atores I, II e III – Como assim? 

Ator IV – Além do final de semana, o trabalhador também tem que ter no mínimo um dia útil para folgar, para descansar e sair da bolha do seu trabalho. 

Ator III – Aí já é exagero! O patrão tem um monte de gastos para garantir o empregado e um dia útil seria um grande prejuízo para ele. 

Ator IV – Exagero? Você só está preocupado com os gastos do patrão? E

quem seria o patrão se não tivesse alguém que trabalhasse para ele? Fique sabendo que a cada oito horas trabalhadas o operário recebe o equivalente a 30 minutos do que produz e o patrão fica com as outras sete horas e meia.  

Ator II – É isso mesmo. Valorizar e respeitar o trabalhador não dá nenhum prejuízo ao patrão, apenas diminui muito pouco no seu lucro, uma insignificância na mais-valia. Além do mais, trabalhadores descansados produzem muito mais. 

Ator I – Temos que entender que o dia útil de folga é também a oportunidade do trabalhador tratar de questões no banco, cartório, médico, prefeitura e diversos outros lugares sem ter seu ponto cortado e sem ter que arranjar atestado ou mendigar uma permissão do patrão. 

Ator IV – Sem querer ser óbvio, também precisamos atentar para algo bastante humano que é a convivência desse trabalhador com sua família, um pouco mais de atenção para com os filhos, poder visistar um parente, um amigo. 

Ator II – Claro. Esse que só folga no fim de semana não consegue nem descansar. Tem sempre uma torneira para consertar, uma arrumação de casa, compras no supermercado... 

Ator I – (Interrompendo) ... sem contar que também necessita pensar um pouco. Fazer alguma reflexão sobre sua vida e o mundo. O trabalho em excesso tira o ser humano da vida. Não podemos viver para trabalhar, mas trabalhar para viver. Mas é viver dignamente, não apenas para pagar um aluguel e comer, mas para usufruir da vida. 

Ator II – Concordo plenamente. O trabalho não pode ser uma punição ao trabalhador, uma preço a pagar pelo direito de morar, de comer e de existir, mas deve ser uma coisa feita com amor e com a consciência de que o que faz é uma contribuição para a humanidade, para um mundo melhor e mais justo.

Ator IV – Sabem quem inventou a roda? 

Ator I – Claro! Foram os trabalhadores! 

Ator IV – Sim, aliás, tudo o que existe no mundo foi construído pelos trabalhadores, embora sempre haja uma placa com o nome dos inventores que nunca pregaram um prego. Mas os trabalhadores que inventaram a roda não eram aqueles que no momento carregavam a pedra. 

Ator II – Como assim? 

Ator IV – É que aqueles que carregavam a pedra estavam tão preocupados e concentrados em não deixar que ela lhes caisse nos pés, bem como até onde levá-la que não tinham atenção para outra coisa. Quero dizer que os trabalhadores que olhavam de fora pensavam: que ridículo tanto esforço e perigo! Por que não colocam essa pedra em cima de umas toras para melhor transportá-la? 

Ator II – Entendi. O distanciamento nos permite pensar e refletir sobre as coisas. Assim os trabalhadores criaram a roda e, claro, porque estavam de folga puderam ver e criar uma solução por estarem distanciados e analisar a situação. 

Ator IV – Algum de vocês conhecem o poema de Vinícius de Moraes, o "Operário em construção"?  

Ator II – Eu sei desse poema. Posso recitá-lo? 

Ator IV – Claro, faça-nos esse favor¹ 

Ator II – O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO 

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe 

num momento de tempo todos os reinos do mundo. 

E disse-lhe o Diabo: 

Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque

a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. 

E Jesus, respondendo, disse-lhe: 

Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. 

Lucas, cap. IV, versículos 5-8 

Era ele que erguia casas 

Onde antes só havia chão. 

Como um pássaro sem asas 

Ele subia com as casas 

Que lhe brotavam da mão. 

Mas tudo desconhecia 

De sua grande missão: 

Não sabia, por exemplo 

Que a casa de um homem é um templo 

Um templo sem religião 

Como tampouco sabia 

Que a casa que ele fazia 

Sendo a sua liberdade 

Era a sua escravidão. 

De fato, como podia 

Um operário em construção 

Compreender por que um tijolo 

Valia mais do que um pão? 

Tijolos ele empilhava 

Com pá, cimento e esquadria 

Quanto ao pão, ele o comia... 

Mas fosse comer tijolo! 

E assim o operário ia 

Com suor e com cimento 

Erguendo uma casa aqui 

Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente Um quartel e uma prisão: Prisão de que sofreria 

Não fosse, eventualmente Um operário em construção. 

Mas ele desconhecia 

Esse fato extraordinário: Que o operário faz a coisa E a coisa faz o operário. De forma que, certo dia À mesa, ao cortar o pão O operário foi tomado 

De uma súbita emoção Ao constatar assombrado Que tudo naquela mesa Garrafa, prato, facão — Era ele quem os fazia 

Ele, um humilde operário Um operário em construção. Olhou em torno: gamela Banco, enxerga, caldeirão Vidro, parede, janela 

Casa, cidade, nação! 

Tudo, tudo o que existia Era ele quem o fazia 

Ele, um humilde operário Um operário que sabia Exercer a profissão. 

Ah, homens de pensamento Não sabereis nunca o quanto Aquele humilde operário

Soube naquele momento! Naquela casa vazia 

Que ele mesmo levantara Um mundo novo nascia De que sequer suspeitava. O operário emocionado Olhou sua própria mão 

Sua rude mão de operário De operário em construção E olhando bem para ela Teve um segundo a impressão De que não havia no mundo Coisa que fosse mais bela. 

Foi dentro da compreensão Desse instante solitário Que, tal sua construção Cresceu também o operário. Cresceu em alto e profundo Em largo e no coração 

E como tudo que cresce Ele não cresceu em vão Pois além do que sabia 

Exercer a profissão — O operário adquiriu 

Uma nova dimensão: 

A dimensão da poesia. 

E um fato novo se viu 

Que a todos admirava: 

O que o operário dizia 

Outro operário escutava. E foi assim que o operário Do edifício em construção

Que sempre dizia sim 

Começou a dizer não. 

E aprendeu a notar coisas 

A que não dava atenção: 

Notou que sua marmita 

Era o prato do patrão 

Que sua cerveja preta 

Era o uísque do patrão 

Que seu macacão de zuarte Era o terno do patrão 

Que o casebre onde morava Era a mansão do patrão 

Que seus dois pés andarilhos Eram as rodas do patrão 

Que a dureza do seu dia 

Era a noite do patrão 

Que sua imensa fadiga 

Era amiga do patrão. 

E o operário disse: Não! 

E o operário fez-se forte 

Na sua resolução. 

Como era de se esperar 

As bocas da delação 

Começaram a dizer coisas Aos ouvidos do patrão. 

Mas o patrão não queria 

Nenhuma preocupação 

— “Convençam-no” do contrário — Disse ele sobre o operário 

E ao dizer isso sorria. 

Dia seguinte, o operário

Ao sair da construção 

Viu-se súbito cercado 

Dos homens da delação E sofreu, por destinado Sua primeira agressão. Teve seu rosto cuspido Teve seu braço quebrado Mas quando foi perguntado O operário disse: Não! 

Em vão sofrera o operário Sua primeira agressão 

Muitas outras se seguiram Muitas outras seguirão. Porém, por imprescindível Ao edifício em construção Seu trabalho prosseguia E todo o seu sofrimento Misturava-se ao cimento Da construção que crescia. 

Sentindo que a violência Não dobraria o operário Um dia tentou o patrão Dobrá-lo de modo vário. De sorte que o foi levando Ao alto da construção 

E num momento de tempo Mostrou-lhe toda a região E apontando-a ao operário Fez-lhe esta declaração: Dar-te-ei todo esse poder E a sua satisfação 

Porque a mim me foi entregue

E dou-o a quem bem quiser. Dou-te tempo de lazer 

Dou-te tempo de mulher. Portanto, tudo o que vês Será teu se me adorares E, ainda mais, se abandonares 

O que te faz dizer não. 

Disse, e fitou o operário 

Que olhava e que refletia Mas o que via o operário O patrão nunca veria. 

O operário via as casas 

E dentro das estruturas 

Via coisas, objetos 

Produtos, manufaturas. 

Via tudo o que fazia 

O lucro do seu patrão 

E em cada coisa que via Misteriosamente havia 

A marca de sua mão. 

E o operário disse: Não! 

Loucura! — gritou o patrão Não vês o que te dou eu? Mentira! — disse o operário Não podes dar-me o que é meu. 

E um grande silêncio fez-se Dentro do seu coração 

Um silêncio de martírios 

Um silêncio de prisão. 

Um silêncio povoado 

De pedidos de perdão

Um silêncio apavorado 

Com o medo em solidão. 

Um silêncio de torturas 

E gritos de maldição 

Um silêncio de fraturas 

A se arrastarem no chão. 

E o operário ouviu a voz 

De todos os seus irmãos 

Os seus irmãos que morreram 

Por outros que viverão. 

Uma esperança sincera 

Cresceu no seu coração 

E dentro da tarde mansa 

Agigantou-se a razão 

De um homem pobre e esquecido 

Razão porém que fizera 

Em operário construído 

O operário em construção. 

Todos – (Aplausos.) 

Ator IV – Nada tão simples. Nem é preciso desenhar. 

Ator III – Mas, voltando para a questão atual desse fora a escala 6x1, tenho uma dúvida (hesitante) ... e se as empresas começarem a demitir? 

Ator I – Isso é o que sempre usam para nos amedrontar. As empresas só existem porque encontram quem trabalha. Se demitirem, elas não terão a quem explorar e vão perder seus clientes e, em consequência, seu capital.  

Ator II – (Pensativo) Enfim, acho que devemos ser mais ousados e lutar para trabalhar no máximo quatro dias por semana, talvez... só talvez valha a pena. 

Ator IV - (Sorrindo) É isso que estamos dizendo! Um trabalhador descansado tem mais tempo para sua vida pessoal e familiar, ou seja, é um trabalhador 

feliz! 

Ator I – E um trabalhador feliz produz mais! Não produz apenas por medo de  perder o emprego, mas pelo prazer de entender que o seu trabalho é uma  forma de contribuir com outras pessoas, de tornar o mundo mais justo, mais  humano. 

Ator II – Além de poder ver meu neto no fim de semana, ir ao cinema ou ao teatro, encontrar com parentes e amigos. 

Todos – Afinal, o que a PEC propõe? 

Ator I – Redução da jornada semanal de 44 para 36 horas. Ator II – Trabalho distribuído em 4 dias por semana, com 3 dias de descanso. Ator III – Manter o limite de 8 horas diárias. 

Ator IV – Sem perdas salariais. 

Ator I – E já contamos com um forte apoio popular. Uma pesquisa da Genial/Quaest revelou que 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6x1. 

Ator II – É isso mesmo. O apoio é especialmente forte entre as mulheres que tem 77% a favor. 

Ator II – Além dos 80% dos jovens de 16 a 34 anos.  

Ator III – Sem contar os 76% das pessoas com ensino médio completo. Todos – Estamos no caminho certo. A cada um conforme suas necessidades! 

Ator I – O Atlas da Escala 6x1 mostra que essa jornada afeta principalmente jovens negros periféricos, com altos índices de estresse e esgotamento

nervoso. 

Ator II – Sindicatos e movimentos sociais entenderam e defendem que o modelo atual prejudica a saúde mental, o convívio familiar e o acesso à educação e lazer. 

Ator III – A proposta também é vista como uma forma de gerar mais empregos, já que a redução da jornada exigiria mais contratações. 

Todos – Por uma jornada de trabalho mais humana! Viva! Viva a classe trabalhadora! São os trabalhadores que produzem a riqueza do país, mas são justamente os que dela não usufruem, pois a riqueza sempre fica nas mãos daqueles que os exploram. 

Ator I – Eu sei que nós não ensaiamos, mas quero fazer um apelo aqui e gostaria de propor que todos dissessem juntos duas frases. A primeira é: Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos! Vamos lá? 

Todos – Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos! 

Ator I – A segunda frase é: O povo unido jamais será vencido! Repitam comigo. 

Todos – O povo unido jamais será vencido!  

CAI O PANO

1 - WC - Wilson Coêlho é dramaturgo e escritor, graduado em filosofia e doutor em estudos literários. Filiado à SBAT.

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