COMEÇA A PRIMEIRA GREVE GERAL NO BRASIL!
(Ernesto Germano Parés/RJ)
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A primeira Greve Geral no Brasil, há mais de um século, foi
iniciada por mulheres e durou mais de 30 dias!
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No dia 8 de março de 1917 havia ocorrido a grande greve
das tecelãs da Rússia que deflagrou a revolução de outubro. Aqui, no dia 9 de
junho do mesmo ano uma greve tem início no Cotonifício Crespi (SP). As
operárias reivindicavam aumento de salários e redução das jornadas de trabalho,
que até então não eram garantidos por lei.
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Ideologias como o anarquismo e o socialismo marxista, que
chegaram a São Paulo principalmente pelos imigrantes italianos, tiveram um
papel importante na organização do movimento. Com a adesão de operários de
outras fábricas, a greve se espalhava e já tinha novas reivindicações: redução
nos aluguéis, direito de organização, normalização do trabalho feminino e
infantil e outras que não tinham ainda sido conquistadas.
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O Brasil passava por um momento marcante. Chegavam as
primeiras indústrias, trabalhadores imigrantes vinham para cá e o movimento
operário começava a surgir. O período de 1917 a 1920 marcou um importante
momento para os movimentos grevistas no Brasil. Principalmente liderados por imigrantes
e mais fortemente os italianos.
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Com o crescimento industrial e urbano, surgiram bairros
operários em várias cidades brasileiras. Formados em sua maioria por imigrantes
estrangeiros, a vida nesses bairros era bastante precária, refletindo os baixos
salários dos operários, a jornada de trabalho estafante, a absoluta falta de
garantias de leis trabalhistas, como descanso semanal, férias e aposentadoria.
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Foi também um período muito difícil para os operários.
Fábricas insalubres, jornadas desumanas, emprego maciço de mão-de-obra infantil
e feminina, mais baratas que a de homem adulto. Muitas crianças empregadas
acabavam com um dos membros mutilados pelas máquinas e, assim como os demais
trabalhadores, não tinham direito a tratamento médico, seguro por acidentes de
trabalho, etc.
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No final de junho, a paralisação dos operários do Crespi
contagiou os 1.500 operários da fábrica têxtil Ipiranga. Em seguida, se
espalhou pela indústria de móveis, concentrada no Brás, e chegou até a fábrica
de bebidas da Antarctica.
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Em 9 de julho, um mês após o início da greve nos
Cotonifícios e com várias categorias já em greve, uma carga de cavalaria foi
lançada contra os operários que protestavam na porta da fábrica Mariângela, no
Brás e resultou na morte do jovem anarquista espanhol José Martinez. Seu
funeral atraiu uma multidão que atravessou a cidade acompanhando o corpo até o
cemitério do Araçá onde foi sepultado. Três dias depois mais de 70 mil
trabalhadores já aderiram à greve. Armazéns foram saqueados, bondes e outros
veículos foram incendiados e barricadas foram erguidas em meio às ruas.
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A adesão de outras categorias ia se ampliando e todo o
movimento da cidade foi paralisado. Era a Primeira
Greve Geral em um Estado, atingindo o fantástico (para a época) número de 75
mil trabalhadores em greve e foi dirigida pelos anarquistas. O comércio
fechou, os transportes pararam e o governo era impotente para opor-se ao movimento.
Os grevistas tomaram conta da cidade por 30 dias. Leite e carne só eram
distribuídos para os hospitais, e dependia de autorização da Comissão de Greve.
O governo abandonou a capital. Grevistas enfrentaram a polícia em Campinas.
Após muita negociação a greve foi suspensa com um acordo.
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A partir daí, a greve se alastrou para quase todas as
cidades do interior de São Paulo. Campinas, Piracicaba, Santos, Sorocaba,
Ribeirão Preto. Até Poços de Caldas, no sul de Minas, que não era uma cidade
industrial, teve movimentos de greve.
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As ligas e corporações operárias em greve, juntamente com
o Comitê de Defesa Proletária reuniram-se na noite de 11 de julho e divulgaram
um manifesto com 11 tópicos através dos quais apresentavam suas reivindicações.
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- Que sejam postas em liberdade todas as pessoas detidas
por motivo de greve;
- Que seja respeitado do modo mais absoluto o direito de
associação para os trabalhadores;
- Que nenhum operário seja dispensado por haver
participado ativa e ostensivamente no movimento grevista;
- Que seja abolida de fato a exploração do trabalho de
menores de 14 anos nas fábricas, oficinas etc.;
- Que os trabalhadores com menos de 18 anos não sejam
ocupados em trabalhos noturnos;
- Que seja abolido o trabalho noturno das mulheres;
- Aumento de 35% nos salários inferiores a $5000 e de 25%
para os mais elevados;
- Que o pagamento dos salários seja efetuado pontualmente,
cada 15 dias, e, o mais tardar, 5 dias após o vencimento;
- Que seja garantido aos operários trabalho permanente;
- Jornada de oito horas e semana inglesa;
- Aumento de 50% em todo o trabalho extraordinário.
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Em 16 de julho - mais de um mês após o início da
paralisação no Cotonifício Crespi - um acordo entre autoridades, organizações
trabalhistas e industriais, mediado por jornalistas, pôs fim à greve em São
Paulo. Mais ainda não era o fim da greve geral.
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Segundo os historiados, apenas em São Paulo a greve terminou
com uma negociação única. No Rio e em Porto Alegre, para onde o movimento já
havia se espalhado, os movimentos tiveram dimensões gerais, mas só terminaram
na medida em que cada setor chegava a um acordo com seu patronato. O ritmo de
saída da greve foi aos poucos, assim como a adesão.
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Outros historiadores afirmam que até o dia 18 de julho
ainda havia categorias entrando em greve, como os pedreiros. Parte dos
empresários se recusava a assinar os acordos e queria negociar condições diretamente
com os funcionários.
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Como em outras oportunidades, terminado o movimento o governo
prendeu, espancou, processou e expulsou a maioria dos líderes da greve e não cumpriu
as promessas feitas.
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VIVA A GREVE GERAL DE SÃO PAULO EM 1917!
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VIVA A LUTA DA MULHER TRABALHADORA!
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A GREVE É UM DIREITO LEGÍTIMO DA CLASSE TRABALHADORA!
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